Reuso da água
- Rhama Analysis

- há 4 dias
- 2 min de leitura
A eficiência e a conservação da água são os mecanismos para preservar e melhorar a disponibilidade hídrica para atender o crescimento da demanda. Nos artigos anteriores discutimos a preservação de mananciais e a perda de água de rede como mecanismo de proteção e recuperação da disponibilidade hídrica. O terceiro componente das medidas de eficiência hídrica é o reuso da água. A conservação geralmente é a parte do consumidor que deve ser mais eficiente no seu uso, que iremos comentar no futuro.
O reuso da água é o aproveitamento de águas de efluentes após tratamento adequado para usos não-potável e potável. Este é um dos mecanismos usado na economia circular de reaproveitamento de recursos hídricos. O reuso pode ser potável ou não-potável (Santos et al, 2025).
O reuso não-potável é a água efluente tratada utilizada para usos não-potáveis como:
Urbano: Irrigação de áreas verdes;
Industrial: Resfriamento de equipamentos e processos produtivos;
Agrícola: Irrigação de culturas, alimentos;
Ambiental: Recuperação de rios, lagos e áreas degradadas.

O reuso pode ser potável, quando é usado para consumo humano. Este tipo de reuso pode ser direto para abastecimento ou indireto que passa por sistemas hídricos. O reuso indireto pode ainda ser classificado como planejado ou não planejado. O planejado é quando foi desenvolvido um projeto específico com esgoto tratado e lançado num sistema hídrico que retorna ao abastecimento. O reuso indireto não planejado é o ciclo de contaminação que mencionamos em artigo anterior, onde uma cidade lança seu esgoto no rio e outra cidade coleta a jusante. Por sinal, o Brasil atualmente é um dos países do mundo com maior uso de reuso indireto não-planejado devido a falta de tratamento de esgoto adequado na grande maioria das cidades brasileiras. Cerca de 55% do esgoto do Brasil é lançado sem tratamento nos rios.
Em nível internacional existem algumas experiências internacionais em reuso potável direto e indireto planejados. O condado de Orange na California possui o maior reuso potável indireto do mundo com capacidade de cerca de 380.000 m3/dia, com tratamento: esgoto tratado, microfiltração osmose reversa e desinfecção UV, água infiltrada em aquíferos e depois captada. Em Singapura o reuso responde por 40% da demanda de água. Os usos de reuso potável direto estão sendo usados no Texas Big Spring e San Diego.
Não existe uma legislação federal específica sobre reuso, mas regulações sobre de reuso não-potável em nível federal e em três Estados (SP, CE, MG), mas não existe nenhuma lei sobre reuso água potável.
Devido ao efeito de mudanças climáticas, com redução de vazão em parte do Brasil, com contaminação de mananciais por falta de tratamento de esgoto, a disponibilidade hídrica tende a diminuir e a demanda aumentar com a população. Buscar novos mananciais pode ficar inviável ou de custo muito alto. O reuso é uma alternativa importante para a sustentabilidade e eficiência. O Estado brasileiro podia cooperar e desenvolver uma legislação que melhore esta eficiência, levando as agências reguladoras a incentivar o reuso.
Referência
Santos, A. S. P; Lima, M. A. M; Soares, S. R. A (2025). Diretrizes para o reúso de água no Brasil. Instituto Reuso de Água, Braga / Portugal – Rio de Janeiro / Brasil.
Por Carlos Tucci
Diretor de Hidrologia Rhama Analysis



Comentários