Perda na rede distribuição de água
- Rhama Analysis

- há 12 horas
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Um dos principais fatores de redução de disponibilidade de água é a quantidade de perdas na rede. O indicador usado é o Índice de perdas na distribuição (IN049) do SNIS. O Brasil perde entre 38 e 40% da água na rede. Para uma cidade de 1 milhão de habitantes (consumo de 200 l/hab/dia), representa uma demanda total de 13.662 m3/h (água distribuída + perdas) onde 5328 m3/h são as perdas.
A perda de água tratada tem um custo alto no volume de água perdido de mananciais, que já estão no limite, além do custo da adução e tratamento e distribuição. As estatísticas das regiões brasileiras mostram que, as maiores perdas, são no Norte (51%) e Nordeste (46%) e menores no Sul (36%) e Centro Oeste (34%), além do Sudeste (38%). Em nível internacional a tendência é de valores até 13 a 15% de perdas nos Estados Unidos, Austrália 7 a 10% e Alemanha (7 a 12%) e em alguns países subdesenvolvidos podem chegar a 80%.

As perdas não-faturadas correspondem ao seguinte: vazamento em adutoras e redes, ramais domiciliares e problemas em reservatórios e devido a ligações clandestinas, erros de equipamentos e falhas de cadastro e faturamento. Parte importante destes problemas se devem a redes antigas que chegaram a sua vida útil e necessitam de recuperação. Geralmente as ações envolvem controle de vazamentos por trecho de rede (setorização), gestão de pressão, gestão de ativos e controle de perdas aparentes. Estas ações devem ser permanentes e de longo prazo para cidades com redes extensas. Existem contratos de performance, onde é conhecido o percentual de perdas na rede e o projeto tem como meta uma redução desta perda. Este contrato pode ser financiado pela própria empresa de Água ou Banco de fomento. Depois dos serviço concluído e verificado o prestador de serviço é pago de acordo com a redução em valores por m3 reduzido por um determinado número de anos.
Considerando as condições de redução de vazão devido a contaminação de mananciais mencionado em artigo anterior, redução de vazão devido as mudanças climáticas em regiões como o Sudeste e Centro-Oeste, uma oferta que pode ser recuperada está na redução de perdas de água na rede de distribuição, evitando a busca de novos mananciais. Algumas cidades brasileiras como São Paulo, Curitiba e Goiânia promoveram este tipo de redução de perdas nas últimas décadas.
Para o país avançar neste setor as instituições de regulação dos serviços de água poderiam desenvolver metas para reduzir as perda na rede de água, quando da concessão dos serviços de água no Brasil, para que o setor melhore estes resultados. Junto com esta demanda, o governo pode promover fundos de investimentos que financiem projetos deste tipo de recuperação de redes de distribuição de água. Esta integração de ações num horizonte de 20 anos pode mudar o panorama e aumentar a resiliência hídrica.
Por Carlos Tucci
Diretor de Hidrologia Rhama Analysis



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