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Possível formação de El Niño forte em 2026/2027 acende alerta climático?

  • Foto do escritor: Rhama Analysis
    Rhama Analysis
  • 16 de abr.
  • 3 min de leitura

Enquanto as águas do Oceano Pacífico, nas proximidades do equador, retornam gradualmente à normalidade após um evento de La Niña de fraca a média intensidade, começam a surgir indícios de que, ao longo do ano de 2026, poderá ocorrer uma transição para El Niño.


Essa probabilidade crescente já vinha sendo apontada desde janeiro. A novidade, no entanto, é que as previsões mais recentes indicam a possibilidade de um evento de El Niño forte.


Na história recente, alguns anos se destacam por terem sido classificados como episódios de El Niño extremo. Essa classificação está relacionada à máxima diferença em relação à média histórica da temperatura da superfície do mar observada na região central do Pacífico. Em 1972–73, o valor máximo foi de 2,1°C; em 1982–83, 2,2°C; em 1997–98, 2,4°C; e em 2015–16, 2,6°C — este último considerado o mais intenso.


Até o mês passado, as previsões indicavam um El Niño de intensidade moderada a forte, com anomalias em torno de 1,5°C acima da média histórica. Entretanto, projeções mais recentes, especialmente aquelas emitidas pelo Centro Europeu (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts – ECMWF), passaram a indicar valores mais elevados, próximos aos registros mais extremos já observados. Isso sugere a possibilidade de um El Niño muito forte, com excesso de temperatura da ordem de 2 a 2,5°C para o próximo verão. Apesar das incertezas inerentes a previsões com mais de seis meses de antecedência, o cenário passa a demandar atenção.


Os impactos de eventos extremos de El Niño são globais, afetando praticamente todas as regiões do planeta. O Brasil é particularmente influenciado devido à sua proximidade com o Oceano Pacífico. Ainda assim, cada evento apresenta características próprias, e costuma-se afirmar que não existe um El Niño igual a outro em termos de impactos.

No Brasil, os efeitos típicos de episódios de El Niño de forte a extremo incluem chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, e acima da média na Região Sul. Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, observa-se uma grande variabilidade de respostas. Isso ocorre porque o clima nessas áreas não é influenciado apenas pelo Oceano Pacífico, mas também, de forma significativa, pelo Oceano Atlântico. Dessa forma, a transição entre regimes de chuva acima ou abaixo da média é acompanhada caso a caso, geralmente com alguns meses de antecedência.


Quando se fala em chuvas acima da média na Região Sul, é inevitável lembrar dos eventos extremos ocorridos em 2024, marcados por chuvas intensas e enchentes sem precedentes. Surge, então, a questão: essa condição pode voltar a ocorrer?

Um ponto importante é que o evento de 2024 ocorreu ao final de um período de El Niño em transição para uma condição neutra. Além disso, fatores associados à dinâmica da atmosfera em latitudes médias e às condições do Oceano Atlântico Tropical favoreceram a permanência de sucessivas frentes frias sobre a Região Sul, bem como a formação recorrente de tempestades. Esse conjunto de fatores resultou em elevados acumulados de chuva e nos episódios de enchentes e inundações observados.


Diante desse cenário, recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas — não apenas para os próximos dias, mas também em horizontes de médio e longo prazo — como forma de subsidiar a preparação para possíveis eventos extremos.


Maria Assunção Dias, explica em detalhes o fenômeno e as previsões associadas até o momento.

Dra. Maria Assunção Faus da Silva Dias Diretora de Meteorologia Rhama Analysis

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