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Saneamento básico e cidade sustentável

  • Foto do escritor: Rhama Analysis
    Rhama Analysis
  • 10 de abr.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 7 dias


Em Londres do século IXX, a mortalidade infantil era de 50% e a expectativa de vida de 35 anos. As cidades tinham menor expectativa de vida que as áreas rurais. A proliferação de doenças como a cólera matava milhares de pessoas. O Dr Snow (anestesista) investigou a propagação da cólera na Broad Street em Londres em 1852, que dizimou milhares de pessoas, e identificou que a fonte da contaminação era a água. Na época se acreditava que a contaminação ocorria pelo ar. Houve muitos questionamentos, principalmente das autoridades, mas com o tempo nasceram as primeiras redes de esgoto para enviar para jusante o esgoto que contaminavam as fontes de água[1]. Este foi início da fase higienista do saneamento. Antes disto a proliferação de doenças controlavam o crescimento populacional com mortandade (fase pré-higienista).


A fase higienista tinha como princípio o sistema combinado de águas pluviais e esgoto com condutos e canais, lançando o efluente a jusante para não contaminar a população, não havia tratamento de esgoto. Esta fase perdurou até o início dos anos 70 quando a população cresceu e a contaminação chegou a níveis muito alto (ciclo de contaminação) nas principais cidades do mundo e tornou-se novamente um problema de saúde pública.


No início da década de 70 foi aprovado o Clean Water Act (Estados Unidos) que tinha como princípio: todo o efluente deveria ser tratado pela melhor tecnologia disponível, independente da capacidade de diluição dos rios. Foram investidos recursos Federais com contrapartida local para cobertura das cidades americanas até o final dos anos 80. Esta é a chamada fase corretiva. Neste mesmo período, começou na drenagem, a mudança da canalização para o amortecimento, já que canalização somente transfere a inundação de um lugar para o outro. Para inundações ribeirinhas evitou-se obras de cheias (devido ao custo) e houve a mudança para o zoneamento de áreas de risco e o seguro de inundação (Estados Unidos). Neste período a expectativa de vida já era superior a 60 anos, devido a cloração da água, a pasteurização do leite e penicilina, a população no século vinte cresceu aceleradamente porque deixou de morrer por doenças.


No início dos 90, depois de concluídos os sistemas de esgoto, verificou-se que perdurava a contaminação difusa das cidades e das áreas rurais. Esta fase foi a fase da sustentabilidade, conceito criado em 1989. Isto indica que a contaminação das águas pluviais deveria ser controlada. As cidades americanas avaliadas pela EPA (entidade ambiental federal americana) quanto as práticas de Best Management Practices, que são planos de drenagem com controle da quantidade, qualidade da água pluvial e erosão, com ações integradas ao paisagismo local. Resultaram em programas como o Low Impact Development (LID), que mudam os projetos de drenagem, mudando o conceito “end of pipe”, ou seja planejar de forma integrada uma determinada área. 


Em 2000 a transformação ocorreu com o projeto de Seul, onde houve uma transformação urbana completa numa bacia urbana de 60 km2, integrando esgoto, drenagem, resíduos, sólidos, sistema viário, e planejamento urbano, dentro do que se chama cidade sustentável, onde se usam os conceitos de Gestão Integrada de Águas Urbanas (GIAU) para aumentar a sustentabilidade de um espaço urbano, seja de uma nova área, como a recuperação de áreas deterioradas.


Como a população mundial vem se tornando urbana, houve redução das famílias e a tendência deste século é redução da população, com famílias com menos de 2,1 filhos por casal. O Brasil está em 1,64.


Infelizmente o Brasil está ainda tentando entrar na fase corretiva, com alto passivo no controle do esgoto, distante das outras fases e sem entender que existe contaminação difusa, pois nem legislação para isto existe.

Tabela das Fases do saneamento básico e cidades sustentáveis


Fases

Descrição

Resultados

Pré-higienista

final do século 19 e início do século 20.

  • Esgoto sem coleta e tratamento;

  • Água retirada de poços contaminados.

  • Epidemias;

  • Altas mortalidade;

  • Expectativa de vida 30 -40 anos

Higienista

até 1970

  • Água segura;

  • Lançamento de esgoto sem tratamento a jusante nos rios;

  • Condutos e canais para a drenagem.

  • Redução de doenças;

  • Aumento de expectativa de vida para 60 anos (c/penicilina);

  • contaminação dos rios;

  • Inundação.

Corretiva

1970 – 1990

  • Tratamento dos esgotos;

  • Armazenamento na drenagem;

  • Zoneamento e seguro para inundações ribeirinhas.

  • Recuperação dos rios devido a carga de esgoto;

  • Contaminação difusa da agricultura e das áreas urbanas.

Sustentável

depois de 1990

  • Tratamento terciário; Controle das contaminações difusas urbanas;

  • Infraestrutura verde para microdrenagem;

  • Certificação ambiental para novas construções.

  • Aumento da qualidade de vida e melhoria da qualidade ambiental e dos rios;

  • Desafio da contaminação difusa na agricultura que afeta as cidades.

Cidade sustentável

depois de 2000

  • Planejamento urbano integrado com moradia, serviços trabalho e compras;

  • Integração das infraestruturas e lazer;

  • Infraestrutura, amenidades e moradias sustentáveis

  • Redução de tempo de deslocamento e custo;

  • Qualidade de vida de lazer e trabalho;

  • Meio ambiente preservado.

[1] Esta história é contada no livro de Steve Jonhson, chamado de Ghost Map. O mesmo autor publicou o livro Extra Live a short live of live longer.   


Diretor de Hidrologia Rhama Analysis



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