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Comparação entre as enchentes de 1941 e 2024 em Porto Alegre

  • Foto do escritor: Rhama Analysis
    Rhama Analysis
  • 16 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

As duas maiores enchentes ocorridas em Porto Alegre, em 125 anos (1899-2025) de dados, ocorreram em 1941 e 2024. A diferença entre elas foi de 50 cm no nível, onde 2024 superou o recorde histórico. Além da magnitude semelhante, ambos os eventos ocorreram no mês de maio.  


Na Figura 1, os cotagramas das duas cheias são apresentados junto às precipitações médias ocorridas em toda a bacia, com área aproximada de 84.000 km2. Pode-se observar que o bloco mais intenso das chuvas que produziram a cheia de 1941 ocorreram em um período de 10 dias e o das chuvas que resultaram na cheia de 2024 ocorreram em apenas 5 dias. Este é um forte indicador de mudanças climáticas, ou seja, redução no tempo das chuvas e aumento da intensidade.


Comparação entre níveis, chuvas e vazões dos eventos de 1941 e 2024
Figura 1 - Comparativo de Cotas e Precipitações de 1941 e 2024.

A maior precipitação média diária ocorrida na bacia no evento de 2024 chegou a cerca 150 mm para toda a bacia, representando um volume de 12,6 bilhões de m3 em um dia. Resultado disto que a vazão máxima em Porto Alegre chegou a 35.736 m3/s, como publicado em nota técnica do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS).


Outro ponto relevante visível nos cotagramas é o longo período necessário para que o nível retorne ao normal: entre 40 e 45 dias. Isto se deve ao efeito do Lago Guaíba e da Lagoa dos Patos. São 250 km de lagos até a saída para o mar, em Rio Grande, o que gera um alto tempo de residência devido à baixa velocidade da água e à influência do vento. Quando o vento é Sudeste os lagos são represados e o nível aumenta e quando o vento é Nordeste ocorre o contrário. Em períodos secos, este efeito explica a inversão de vazão: entre 16h e 20h, em Porto Alegre; no restante do dia, é positiva. Esse movimento ajuda a manter níveis mínimos de oxigênio em rios como o Sinos e o Gravataí durante anos secos.


A principal lição destas enchentes foi que o intervalo de mais de oito décadas entre grandes cheias fez com que a cidade desprezasse seu risco, isto deve ser revertido por práticas modernas de Planos de Contingência.




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