Volumes de controle da drenagem urbana II
- Rhama Analysis
- 22 de ago. de 2010
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de jul.
Na semana passada mostramos como você pode calcular o volume de controle para garantir que a vazão de saída será menor que a vazão de pré-desenvolvimento. Nesta semana vamos mostra algumas experiências no Brasil e no exterior.

Belo Horizonte: No Plano Diretor Urbano de Belo Horizonte de 1996 foram previstas áreas permeáveis de acordo com a zona da cidade (como na maioria das cidades). Foi previsto na regulação que o proprietário pode substituir a área permeável por um reservatório na relação de 30 l para cada 1 m² impermeabilizado. Foi prevista uma exceção, em que a viabilidade da construção do reservatório dependia de um parecer de um engenheiro. Na prática observou-se que o proprietário construía a área impermeável e depois obtinha um parecer do engenheiro inviabilizando o reservatório. Desta forma, nenhum reservatório foi construído. Mesmo que o reservatório fosse construído não resolveria o problema, pois o restante da superfície continuaria impermeável e o aumento da vazão ocorreria. Este valor corresponde a 300 m3/ha, valor menor que o obtido para Porto Alegre de 425 m3/ha.
Considerando que a chuva de 10 anos 1 hora de Porto Alegre é metade da Belo Horizonte, o volume deve ser ainda maior.
São Paulo – A lei das piscininhas de São Paulo que estabelece uma equação de volumes para amortecimento de inundações utiliza 90 m3/ha para áreas impermeáveis, valor muito baixo para ter algum efeito sobre a drenagem urbana, considerando ainda que a chuva de 1 hora 10 anos de São Paulo é maior que Porto Alegre. Estima-se que representa apenas 20% do volume necessário.
Brasília e Campo Grande- Foi utilizada a metodologia de Porto Alegre para estas duas cidades e devido a sua chuva maior, os volumes são respectivamente de 470 m3/ha e 585,8 m3/ha para áreas impermeáveis.
Estados Unidos: Algumas cidades adotam para controle quantitativo os tempos de retornos de 10 e 100 anos ou apenas 10 anos, com vazões prévias de 10 a 16 l/(s.ha) e os volumes variam com a intensidade de chuva de cada região em valores mais baixos que os brasileiros devido a menor intensidade de clima temperado.
Austrália: De modo geral o valor as vazões nas municipalidades australianas variam entre 80 a 300 l/s.ha e os volumes de 200 a 550 m³/ha. O tempo de retorno geralmente adotado é de 100 anos. O diâmetro mínimo do orifício de saída dos OSD é limitado em 25 mm, para evitar entupimentos das estruturas. Deve ainda existir uma proteção interna de grade. A profundidade máxima admissível para os tanques enterrados é 60 cm.
Este panorama breve mostra que os valores obtidos para Porto Alegre, Campo Grande e Brasília são razoáveis. O que se pode alterar é utilizar mais de um tempo de recorrência para dupla verificação. Na semana próxima vamos discutir o controle sobre Erosão e Qualidade da Água.
*** Duas semanas atrás coloquei uma equação da vazão de pré-dimensionamento com o coeficiente errado. Fiz a correção, favor verificar.
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