Sustentabilidade das águas urbanas
- Rhama Analysis
- 11 de jan. de 2009
- 3 min de leitura
Nesta série de artigos sobre a sustentabilidade urbana, destacamos agora os aspectos das águas urbanas e seus desafios. A concentração de pessoas num mesmo espaço tem produzido um número significativo de desafios relacionados com as águas urbanas que são: • Contaminação dos rios e aqüíferos por efluentes: poluição difusa rural e urbana, resultado do escoamento pluvial; falta de coleta e tratamento de efluentes industriais, comerciais e doméstico das cidades e áreas rurais; • Áreas degradadas: erosão do solo e de canais naturais, sedimentação de sedimentos e contaminação do solo devido a urbanização pelo aumento da velocidade do escoamento; • Contaminação de resíduos sólidos: produção de resíduos da população que não é coletado, ou ruas e passeios sem limpeza e ainda os aterros e lixões. Estes três grupos de impactos reduzem a segurança sobre a água utilizada nas cidades, gerando fontes de contaminação e deteriorização do meio ambiente aquático e terrestre. A sociedade procura evitar estes problemas com a prestação de serviços públicos de Água (abastecimento de água), Esgoto (esgotamento e tratamento dos efluentes doméstico e industrial), Drenagem Urbana (escoamento pluvial) e Resíduos Sólidos (coleta, limpeza e disposição). A eficiência como estes serviços são prestados na cidade é que levam a sustentabilidade. O cenário mais freqüente na realidade brasileira é de cidades que não tratam seus efluentes ou por serviços ineficientes. Como é retirada a água a montante para abastecimento e lançado a jusante o efluente sem tratamento (figura), espera-se que o problema seja transferido para a cidade de jusante. No entanto, provavelmente esta cidade já está recebendo a herança da cidade de montante e os impactos transferidos num ciclo de contaminação. Isto também ocorre na água subterrânea. De forma radical, seria como lançar o esgoto de uma residência no poço onde ela se abastece. A tendência é de se utilizar água de efluentes para abastecimento de água, em menor ou maior quantidade, com mais ou menos resíduos. A realidade é que, na medida em que a carga aumenta o tratamento convencional não é suficiente e se houver limitação de disponibilidade a tendência será de reuso disfarçado ou não desta água. Veja os exemplos abaixo. Em Orange County (região de Los Angeles), 20% da água de abastecimento é reutilizada. O sistema de tratamento passa pelo tratamento convencional onde 80% da carga é removida, para depois passar por: Microfitration : um sistema de baixa pressão onde são removidas partículas e bactérias; RO um sistema de alta pressão que remove minerais e contaminantes ( sais, vírus, e químicos como pesticidas) a nível molecular; Purificação ultravioleta que remove agentes biológicos e traços de químicos orgânicos. A água é considerada pura nesta estágio. Depois destas etapas são introduzidos alguns minerais e introduzidos nos poços. O sistema de abastecimento utiliza 75% da água dos aqüíferos para abastecimento. A demanda é alta cerca e 200 galões por dia por pessoa (~ 770 litros). Para maiores detalhes veja a reportagem sobre o assunto em http://www.waterefficiency.net/may-june-2008/ultmate-recylcing-program-3.aspx A própria cidade de São Paulo quando ligou a Billings com a Guarapiranga utiliza da ordem de 4 m3/s de água de braços da Billings que são transferidos para a Guarapiranga que utiliza da ordem de 16 m3/s . Como a Billings possui vários graus de poluição da região metropolitana de São Paulo com sua conexão com o rio Pinheiros e a carga das suas áreas limítrofes, existe um reuso de parte do volume utilizado pela cidade. Este cenário crítico de longo prazo exige dos gestores uma visão integrada para dar soluções de longo prazo e superar as dificuldades institucionais imposta pela organização da nossa sociedade. As principais dificuldades não são técnicas, mas institucionais.
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